Saudades
Ai que saudade que sinto
Dos tempos que vi outrora
Que os anos levaram embora
E estes não voltam mais,
Tudo aqui já vi um dia
Água pura em correnteza
Nascentes de águas cristais
Olhos d’ águas que brotavam
Brejos de canaviais,
Ai que saudade que sinto
Das noites enluaradas
Das conversas nas calçadas
Dos leilões do mês de maio,
Tudo era diversão
Deitar e rolar na areia
Brincar de chamar comadre
Nas fogueiras de São João,
Ai que saudade que sinto
Das colheitas em abundância
Daquelas belas festanças
Das moagens e farinhada
Tudo ficou para trás
As trilhas em que se andava
Pedras que a gente brincava
Que muitos nem lembram mais,
Ai que saudade que sinto
De andar a cavalo na rua
Buscar água na cabaça
E catar feijão na cuia
Ficaram só as lembranças
Nada disso hoje se faz
Nem brincadeiras de roda
As meninas querem mais,
Aqui não se vive em paz
União não se tem mais
Graças a estas mudanças
Um pouco que ficou pra trás
Será que ainda se alcança?
Tudo hoje é diferente,
Amigo não faz mais, como se fazia antigamente.
Maria Augusta
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